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| Bradori Sacrir | |
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| Tweet Topic Started: Jul 9 2008, 04:32 PM (1,174 Views) | |
| Leto | Jul 9 2008, 04:32 PM Post #1 |
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Lyone de Larna avançou com passos incoscientemente calculados até à ampla varanda em granito branco do seu quarto. Os seus pés descalços sentiram a frieza que a pedra transmitia, acordando-o para a manhã sorridente que lhe acenava do céu azul celeste. Uma andorinha pousada entre os balaústres observou-o curiosamente antes de levantar voo e juntar-se às companheiras que rodopiavam alegremente pela Primavera. Como gostaria de poder fazê-lo também, no entanto, as preocupações preenchiam cada pedaço da sua consciência. Apesar de princípe, de um dos maiores e mais ricos nobres de Sielian, as decisões tomadas escorriam-lhe por entre os dedos. O seu pai e o seu irmão mais velho domavam o reino a seu bel-prazer, ignorando-o e unicamente escutando os conselheiros que tudo faziam para manter a sua posição lado a lado com os grandes. Poder e riqueza eram as unicas coisas que lhes inflamavam os desejos, nada mais importava. E isso repugnava-o. Olhou em redor para o faustoso jardim verdejante, os seus labirintos de baixas sebes e as mil fontes resplandecentes onde os peixinhos vermelhos nadavam na sua eterna ignorância, desejando comida e mais nada, cegos para o mundo que os rodeava, por onde palpitava a vida... e a morte. Os seus orbes azuis claros fitaram o além, onde palpitava essa vida e essa morte. Riqueza e pobreza, tudo envolvido num novelo dispar que criava nós de injustiça. Os pobres morriam desprezados e os ricos viviam na sua perigosa ostentação. Nós num fio que se prelongava por cada ampla avenida e escura ruela. Lyone fechou a mão com força sobre o parapeito, sentindo cada rugosidade dos seus feitios floreados. Aquilo tinha que acabar. |
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| Kathleen | Jul 9 2008, 08:53 PM Post #2 |
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Revolveu-se na cama, enrodilhando ainda mais em torno de si os lençóis de seda rendada. Fora uma das raras noites em que dormira sozinha, uma noite de repouso. Os compridos cabelos espalhavam-se pela almofada em padrões intrincados, os olhos escuros brilhando à luz que entrava pela vidraça. Tivera sempre esse hábito: dormir com as cortinas descerradas. Era como dormir com a noite. Era raro, contudo, que o fizesse quando tinha companhia; muitos homens consideravam tal inapropriado. Rolando para se sentar na borda da cama, enfiou os pés em delicados chinelos, com cuidado para não pisar o gelado chão de pedra - ainda que fosse Primavera* o tempo ainda estava frio. Como precaução semelhante, vestiu o robe que, apesar de tudo, pouco cobria, de um tecido suave. Tanto este como a camisa de noite ondularam junto aos seus tornozelos quando abriu as altas portas de vidro, sentindo uma brisa ligeira afagar-lhe o rosto e os pesados cabelos. Aproximando-se, de seguida, de um pequeno sino que fez tilintar, cujo som foi acompanhado pelo aparecimento de uma rapariga. Danya, a sua criada de quarto, tímida e competente, sempre silenciosa. Foi sem uma palavra que a ajudou a colocar o vestido azul escuro que tinha escolhido para esse dia, sem um só som que lhe pintou a cara, realçando-lhe os olhos como duas negras pérolas. Lenora palmilhou suavemente o corredor, os passos mal se ouvindo por entre as altas paredes com tapeçarias. Estava só enquanto percorria as escadarias desatentamente, um brilho calculista na face. Um brilho que em que a maioria dos homens não reparava. Não os que lhe interessavam, de qualquer modo. Não se cruzou com nenhum servente ou guarda, esses estavam reservados a andar por entre os corredores mais estreitos da criadagem. A carruagem aguardava-a, e levantou as saias para entrar, ajudada pelo cocheiro. Assim que se instalou no interior almofadado e forrado a verde escuro, fechou a cortina que deixava o mundo exterior entrar pela janelinha. Sentiu o ligeiro solavanco que indicava que estavam em movimento. Recostou-se e fechou os olhos, embalada pelo andar da carruagem. *Deduzi que fosse Primavera pelo post da Leto. |
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| eragon369 | Jul 11 2008, 01:21 AM Post #3 |
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Dhestiny acordou com o sol nascente a bater-lhe na cara. Pestanejou e esfregou os olhos. A sua mãe já não se encontrava no quarto, como sempre. Àquela hora, estava a preparar os elaborados pequenos-almoços dos nobres. Levantou-se e trocou de roupa, apalpando os bolsos e sentindo-os vazios. Tinha apenas duas pequenas moedas de cobre. Naquele dia iria encher os bolsos de metal. Mas, primeiro, um passeio pelos ainda desertos corredores do palácio - gostava de vaguear por ambientes que não eram os seus, simplesmente pela possibilidade de ser apanhado. E gostava de começar o dia assim: escutar sussurros matinais, ter de se escapulir para um dos milhentos sumptuosos salões do Palácio, despejar um pouco de adrenalina no sangue. Só depois iria comer. Saiu do quarto, percorrendo os corredores dos criados seguramente e saindo por uma discreta porta num luxuoso corredor, as paredes cobertas por tapeçarias dos quatro cantos do mundo. Por onde vou começar? Edited by eragon369, Jul 11 2008, 03:05 PM.
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| Gabrielis | Jul 11 2008, 10:44 AM Post #4 |
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Vralel acordou com o nascer do sol, era uma hábito que mantinha desde pequeno e que por muitas vezes lhe tinha sido útil. Esperguiçando-se, saiu da cama. Ainda era cedo, e como tal Miryam devia estar a dormir. Decidiu não a chamar enquanto o sol não estivesse mais alto. Enquanto estes pensava, foi-se vestindo. Calças de canhamo, camisola de lã, botas, luvas e colete de cabedal, todos de cor preta. Talvez quando se reformasse comprasse algo de cor menos carregada, mas na actualidade aquilo condizia com o seu estilo de vida. Após chegar ao patio, tomou a decisão de ir montar, estava a apetecer-lhe ir ao lago e, como a distancia ainda era relativamente grande, o melhor era mesmo ir a cavalo. Saiu dos estabulos já a galope, a frescura matinal sabia-lhe bem, e pelos relinchos de contentamento que ouvia vindo de Magrek, sabia que o equidio era da mesma opinião. Deixou-se embalar pelo ritmo e entrou no bosque. Edited by Gabrielis, Jul 11 2008, 01:47 PM.
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| Krayer | Jul 14 2008, 10:27 PM Post #5 |
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Caçador
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O dia estava bonito, O sol brilhava resplandecente no céu azul oceânico pouco nublado. A luz do dia tornava-se ainda mais bonita no local da cabana ao pé da bosque fundindo-se com as folhas verdes dando-lhes uma cor brilhante que, se houvesse um riacho ali perto, se reflectia e cegava qualquer um que ali passa-se. A noite anterior tinha sido uma das mais divertidas de Krayer, apesar de ele não se lembrar do muito que se passou naquela noite. A sua manhã começou com uma enorme dor de cabeça que o obrigava a deixar-se ficar na cama. Apesar da tranquilidade que o sol transmitia às árvores, para Krayer, o sol não era nada mais que a ponta de uma lança que se espetava nos seus olhos mal eles eram abertos. Ficou na cama, acordado, mas de olhos fechados por um pouco, até que a sua dor de cabeça se torna-se numa simples batida de tambores de guerra. Ao levantar-se observou que não tinha qualquer necessidade de fazer a cama ou até mesmo vestir-se, portanto passou a lavar a cara e mãos na sua bacia de água amarelada. Ao ver a sujidade repugnante o jovem pegou no seu utensílio higiénico e levou-o pela sala de convívio e pela porta fora para o exterior. Sem reparar na chegada dum dia primaveril perfeito, mas regular naquele local, o conteúdo da bacia foi despejado em cima de uma ervas que ficaram húmidas, as gotículas, agora aparentemente limpas, suspensas no ar por uma pequena teia de aranha, começaram a cair lentamente para o chão assim que o caçador ressacado fechou a porta da frente da sua casa, devagar, para não piorar a sua dor de cabeça. Ao poisar a bacia vazia na pequena mesa de madeira onde costuma tomar as refeições, partiu para um canto onde mantinha a sua comida, dentro dum enorme baú que ocupava grande parte de uma parede de pequenas dimensões. Agachou-se, abriu-o e de lá retirou um grande pedaço de pão, um pouco de queijo com a camada superficial um pouco bolorenta e uma bolsa de pele de camurça vazia. Fechando o baú espalhou tudo o que de lá tinha tirado organizadamente pela ordem do costume. Levantou-se e dirigiu-se a um enorme e robusto tronco de madeira do mesmo tamanho dele, com uma base circular de madeira igualmente rude e dois grossos braços que seguravam um arco, uma aljava e uma pequena bolsa de cintura. A primeira de material desconhecido ao portador por ter sido feito pelo seu tetravô e a seguinte feita com a pele do mesmo animal caçado por Krayer para criar a bolsa de água que levava todos os dias para a sua caça. Colocou a aljava as costas prendendo-a com uma faixa que percorria, o ombro, o peito e a barriga até à cintura até que chegava ao fim do carcaz de flechas, o arco foi colocado da mesma maneira que o coldre, mas em vez de ser pele a passar pelo torso do caçador, era a corda de cânhamo, ao colocá-lo o peso aumentou e, como sempre, o movimento tornou-se difícil, o longo arco de madeira de carvalho era quase do mesmo tamanho que o próprio utilizador da arma e seria até mesmo maior, não fosse ele mais alto do que os restantes habitantes daquela zona, colocou a bolsa à cintura com uma fivela muito feia, provavelmente feita por um ferreiro frase na arte de moldar o ferro, que prendia dois pedaços de pele soltos. Abrindo-a retirou uma adaga que repousava dentro da sua bainha tal como uma pessoa normal dorme com os lençóis por cima de si. Com este pensamento na cabeça, Krayer riu-se "Já não me lembro da última vez que durmo assim..." desembainhando a adaga de cabo de madeira polido e dirigindo-se para o baú onde tinha deixado as coisas sentou-se de pernas cruzadas, pegou no queijo e começou a retirar o bolor para cima de uma taça que ali estava perto. Ao ver que o queijo já estava ao seu gosto, limpou a longa faca num pano de linho, já bastante usado, que estava preso à ranhura da abertura do baú. Acabado o serviço mandou o pano para cima da sua despensa de madeira, arrumou o pão e o pedaço de queijo limpo na sua bolsa, mas não esquecendo-se de o colocar dentro de um pano semelhante ao usado para limpar a adaga, mas limpo. A faca embainhou-a e prendeu-a ao cinto que a bolsa fazia à volta da sua cintura magra. Pegou na pele de camurça com gargalo retirada do baú e levou-a na mão, saiu de casa e dirigiu-se para a bosque a fim de enche-la de água. Enquanto caminhava lenta e calmamente, começou a questionar-se que horas seriam, decidiu olhar para o céu de modo a poder ver o sol e a sua posição, o calor era imenso e o sol estava bem no cimo do céu. Krayer apercebeu-se, então, que já passava da hora do almoço e que devia ter acordado mais cedo, com isto apressou-se para o riacho correndo que nem um louco. Edited by Krayer, Jul 22 2008, 10:07 PM.
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| Leto | Jul 15 2008, 06:02 PM Post #6 |
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O princípe de Sielian passou a manhã na biblioteca, examinando alguns pergaminhos velhos que se acumulavam em velhas e altas estantes que se erguiam para a cúpula alta em vidro translúcido. Procurava algo quem nem ele sabia bem o que seria, mas que lhe permetiria informar-se sob a sua própria descendência, talvez sobre os exilados que outrora teriam sido enviados para as inalcansáveis montanhas, perdendo-se nas suas entranhas e fugindo ao jugo que muitos deles não mereciam. Encontrar talvez intrigas congeminadas nos tempos antigos e esquecidas nas crónicas de Sielian que lhe permitiriam dissuadir de forma subtil aqueles que se atravessassem no caminho. Contudo, algo lhe dizia que aquele não era o seu caminho. O ruído de sapatos rasos acordaram-no da sua pesquisa e obrigaram-no a olhar em volta. Os seus orbes de safira observaram uma serviçal que se aproximava com passos timidos da sua pessoa. Os cabelos estavam escondidos sob uma toca branca, no entanto as suas sobrancelhas claras revelavam-no loiro. Nos seus olhos espelhava-se modéstia e uma inocência que lamentavelmente se perdia sem retorno. Não deveria ter mais de catorze anos. - Senhor - disse, inclinando-se em forma de cumprimento respeitoso. - Bom dia, Dyar - cumprimentou, deixando que um sorriso amável lhe preenchesse a face, de forma a colocar a empregada à vontade. No entanto, raramente isso acontecia. Felizmente Dyar pertencia a essas raridades e correspondeu-lhe com um ainda mais alegre. Conhecia-a há vários anos, era filha de uma das aias de sua irmã e sempre a tratara como uma outra irmã mais nova. Lamentava o facto de sentir que o seu próprio pai se "banqueteava" com uma pobre criança. Mas nada poderia fazer para impedi-lo, pelo menos naquele momento. - Diz-me o que te traz até mim num dia tão bonito como este. Os olhos da empregada correram a biblioteca real. Como maior parte das vezes estava totalmente vazia. Os únicos espectadores que os escutavam atentamente eram os livros velhos e os retratos dos antigos antepassados que palmilhavam muitas das paredes do palácio. Mas esses, por mais que ouvissem, nada contariam a quem quer que fosse. Era um dos locais mais seguros para se ter uma conversa em privado. Edited by Leto, Jul 15 2008, 06:09 PM.
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| Kathleen | Jul 16 2008, 12:39 AM Post #7 |
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Sentada à mesa da vasta sala de refeições, as costas erectas e os lábios firme e involuntariamente cerrados um contra o outro, interrogava-se por que suportava tal ordálio, ouvindo Lord Borean discursar alegremente sobre os seus feitos, provavelmente inventados, para lá de Sielian. Não era um homem feio, concedeu. Observou-o, enquanto ele continuava o seu desenrolar de fantasias. Cabelos escuros, ondulados a ferro, pele tisnada pelo sol e feições suaves. - Decerto apreciaria um passeio pelas costas de areia branca - dizia. - Asseguro-lhe que ficaria deslumbrada. Lenora conteve um suspiro de enfado e pousou os talheres, ainda que não sorrisse. Não era hábito seu fazê-lo. A mão de Jonas Borean deslizou sobre a sua, subtilmente, como se esperasse que ela não reparasse no que fazia. A sala, para além de ambos e dos servos vestidos de amarelo, encontrava-se vazia e escurecida. As janelas encontravam-se no topo das altas paredes e não eram nem altas nem largas, pelo que pouca era a luz que emoldurava as paredes ríspidas de pedra cinzenta. Perguntava-se como era ele capaz de viver naquele local, que tão pouco combinava com a sua personalidade entusiasta. - Aprazer-me-ia um passeio nos seus belos jardins, meu senhor - confessou, olhando a porta pensativamente. - As suas roseiras são apaziguadoras e tranquilizar-me-iam. - Certamente, senhora minha. - Fez sinal a um dos seus criados, que lhe puxou a cadeira para que se erguesse, repetindo ele mesmo o gesto para com Lenora, ainda sorridente. Jonas Borean prezava o seu jardim, com razão. Seguindo com a mão na do seu anfitrião, deslizou até ao exterior. |
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| eerie. | Jul 18 2008, 06:45 PM Post #8 |
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![]() Quando acordou, Malaquina escovava os cabelos e tentava entrelançar os longos caracóis ruivos. «Ah, a rapariga que faz demasiadas questões» pensou, enquanto observava descaradamente as abluções da ruiva. Após um certo tempo, a rapariguinha fraquejou e caiu, batendo dolorosamente com os joelhos no chão. - O que tens, miúda? - bradou. A pequena balbuciou um «tenho a parte de baixo do tronco muito dorida, senhor». Heinarr soltou uma gargalhada, reprimindo um comentário perverso. - Não devias estar já a trabalhar? Sai dos meus aposentos! Não quero metediças aqui. A Rainha não gosta muito de putéfiazinhas, principalmente quando são as suas damas-de-companhia. Não faças beicinho e não abras a boca a ninguém, percebes? Ou hoje à noite não são só as tuas pernas que ficarão doridas. Malaquina soltou um grito estrangulado que lhe morreu na garganta, enquanto as lágrimas assomavam-lhe aos olhos; calçou desastradamente os pequenos sapatos e saiu rapidamente. Heinarr rebolou e saiu do luxuoso colchão. Resolveu colocar o anel real, mas não a coroa, era-lhe estranhamente desconfortável carregar com a peça em ouro durante todo o dia. Não vestiu o manto verde, pelo que se sentia mais leve e não fosse o olhar determinado, poderia ser confundido quase com qualquer outro nobre de Sielian, «tirando o facto de ser mais atraente» pensou perversamente enquanto se lembrava dos detalhes da última noite. As novas damas-de-companhia da Rainha Miendra, eram demasiado púdicas, demasiado desinteressantes e demasiado fracas. Um homem nem podia satisfazer-se como queria e já desmaiavam de dor. Havia algumas que deixavam sangue nos lençóis, tendo sido ele, Heinarr, o usurpador da sua virgindade. Essas pareciam querer algo mais dele e isso irritava-o profundamente. «As mulheres não prestam». Heinarr, apenas poderia excluir desta afirmação tão incendiada, a sua própria filha. Dirigiu-se rapidamente para a ala este, onde a Biblioteca Real se encontrava, e se Lyone estivesse lá mais uma vez, falando com aquela filha magricela da aia da sua filha? Heinarr riu-se sarcasticamente. Edited by eerie., Jul 20 2008, 03:58 PM.
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| Krayer | Jul 19 2008, 03:26 PM Post #9 |
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Caçador
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A corrida fez com que Krayer chega-se quase repentinamente ao riacho, lá encheu a bolsa de pele com agua. Assim que estava ele levantou-se e deslocou-se para longe e recomeçou a sua caminhada numa direcção paralela do caminho aquático de onde retirara agua. Continuou o caminho seguindo o riacho. Ao longe viam-se os típicos eucaliptos de Bradori Sacrir. A erva começou a ficar mais densa e a humidade mais sufocante. O cheiro da bosque ocupou as narinas de Krayer como se da sua casa se tratassem. O cheiro era agradável ao caçador, mas sempre que se lembrava que estava ali para caçar os habitantes daquele maravilhoso local sentia-se repugnado. Sentia o sangue a escorrer das carcaças dos animais pelas suas costas abaixo todas as tardes ou então levava-os na mão e deixava um rasto vermelho até sua casa, que desaparecia todos os dias por razões que Krayer não conseguia explicar. As árvores começaram a agrupar-se cada vez mais e as sombras ficaram mais predominantes, o ambiente mais fresco. O calor que o sol demonstrara aquando o jovem acordara logo pelo final da manhã. Agora que Krayer pensava nisso, ele nem tomado o pequeno almoço tinha e a fome não lhe vinha conforme era costume. A sua cabeça continuava à roda, mas ele tentava suportá-la enquanto fazia um esforço enorme para caminhar. O caçador andou, andou e continuou a andar. Apesar de normalmente estar atento a presas prontas a serem atacadas pelas suas flechas, hoje não, distraíra-se com o próprio movimento das suas pernas e o controlo da mente ressacada. Mas não fazia diferença, por alguma razão, naquele dia não se via qualquer animal, era estranho, pois a bosque costumava estar repleta de seres que se alimentavam das folhas ou da erva. A agua começou a escorrer e as pernas cada vez mais, era bastante provável que Krayer tivesse percorrido uma grande distância. O suor da testa atingiu-lhe o olho direito e com isto o descanso era necessário. Caminhando lentamente até à margem do rio. Chegando lá, despejou todo o material que tinha levado para o chão e deitou-se com os pés quase em cima da água. O calor corporal era cada vez mais insuportável, por si tomava um banho, mas não seria o melhor a fazer ali no meio da bosque. Não era um local muito perigoso para se estar desarmado e distraído, mas valia sempre a pena ter cuidado. Como solução decidiu descalçar as suas botas de couro ornamentada com pequenas fivelas prateadas e feias feitas a partir de latão, retirando as tiras cuidadosamente da frágil liga e colocando-los ao pé da sua sacola. Colocou os pés na água e pode saborear a frescura inigualável da bosque, não era apenas o rio que lhe refrescava os pés mas também a brisa e as sombras, sentiu a secura dos seus lábios no meio de toda a frescura, quis beber água, mas estava demasiado dorido do caminho para se levantar nem que fosse só o torso. Movimentou o seu braço direito, pegou na sacola e de lá retirou o seu cantil. Abriu-o e despejou o seu conteúdo para dentro da sua garganta brutamente. Engasgou-se e tossiu e com o ruído pássaros esvoaçaram do seu descanso que eram os ramos das árvores. Krayer, deitou-se novamente e tentou entrar novamente em harmonia com o ambiente. Acabou por conseguir, demasiado bem até, e caiu num sono profundo onde tudo era nada e o verde e azul era negro. Edited by eragon369, Jul 22 2008, 10:48 PM.
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| Leto | Jul 21 2008, 07:08 PM Post #10 |
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- Bem, meu principe... - murmurou, voltando a olhar em volta. Notava-se nervosismo nas suas palavras e no seu comportamento. As mãos pequenas e sensíveis brincavam incessantemente com a bata branca que utilizava por cima de um vestido cinzento e justo ao corpo que lhe delineava a cintura esguia. - É um assunto sensível. Lyone franziu as sobrancelhas, estranhando aquela tão grande preocupação. Pediu-lhe para que se sentasse ao seu lado e contasse tudo. Ao princípio Dyar hesitou abrir a boca, mas por fim Lyone conseguiu aliciá-la a fazê-lo, prometendo várias vezes de que nada sairía da sua boca e que, principalmente, o rei de nada tomaria conhecimento. A serviçal inspirou profundamente, tomando coragem. - É sobre a senhora sua irmã - confessou, olhando-o de lado. A face pálida começava a tornar-se húmida devido à ansia que a apoquentava. O assunto parecia-lhe realmente invulgar, mas não imaginou o que pudesse ser, por isso deixou que a rapariga continuasse. - A princesa está grávida - confessou num murmúrio quase tão baixo que Lyone teve dificuldade em ouvir. Porém, não teve dúvidas quanto ao significado e às implicações daquela pequena frase. A sua irmã! Grávida! - Tens a certeza? - Inquiriu agrestemente, quase assustando a pobre que abanou a cabeça várias vezes, afirmativamente. - Que a morte me leve! Desferiu um murro na mesa de pinho. O que faria o seu pai se soubesse? Edited by Leto, Jul 21 2008, 07:10 PM.
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